Prevendo Futuro

Baitaca — Tom D

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[D] [A]

Quando as minhas mãos já não tiverem o mesmo tato

[A] [D]

E pra golpear um potro já esteja faltando força no braço

[D] [G]

Quando eu levantar uma armada de pialo e me enredar no laço

[D] [A] [D]

Certamente o boi irá correr mais e entrar no mato

[D] [A]

E quando meus olhos ao longo dos campos não cortar distância

[A] [D]

E a juventude que em roubar orgulho não dar-me importância

[D] [A]

De cabeça baixa vusuarei o mundo tão cheio de ânsias

[A] [D]

Levarei trombadas de saudades do meu tempo de infância

[D] [A]

Quando a minha espora não tinir mais num tranco estradeiro

[A] [D]

E o canto do galo silenciar ao longe em frias madrugadas

[D] [G]

Quando meu chapéu e o bico da bota não juntar geada

[D] [A] [D]

O cavalo bom estará ficando muito mais ligeiro

[D] [A]

E quando minha adaga num fim de fandango não der um tinido

[A] [D]

E o meu grito forte de eira boiada meio enrrouquecido

[D] [A]

Ao redor do fogo lembrarei de tantos recuerdos perdidos

[A] [D]

Serei mais um laço velho arrebentado num canto esquecido

[D] [A]

E quando meu cabelo branquear o meu rosto estará enrugado

[A] [D]

Vou sentir receio dos chifres do touro que ao tiro e não dobra

[D] [G]

O peso dos anos curvará minha estampa que já sem manobra

[D] [A] [D]

Longe do entrevero, do grito dos pialos e do berro do gado

[D] [A]

E quando minha gaita calar-se pra sempre ao entardecer

[A] [D]

O mundo dirá qual o meu destino quando sol nascer

[D] [A]

O campo, as coxilhas, banhados e estradas não vão mais me ver

[A] [D]

Não quero morrer, mas prefiro a morte quando envelhecer

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